Lição 7 - A Queda do Ser Humano

Lições Bíblicas do 1° trimestre de 2020 - CPAD | Classe: Adultos
Texto Áureo
"Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram." (Rm 5.12)
Verdade Prática
Ao pecar contra Deus, o homem perdeu o completo domínio sobre a criação e tornou-se vulnerável à morte; em Cristo, porém, temos o Reino e a vida eterna.

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Leitura diária
Segunda - Gn cap. 3: A história da queda
Terça - 2 Co 11.3: A estratégia de Satanás
Quarta -1 Tm 2.14:  Eva é enganada por Satanás
Quinta - Jo 8.44:  O Diabo é o pai da mentira
Sexta - Rm 5-12:  Adão, o responsável pela queda
Sábado - Rm 6.23: A consequência da queda

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 3.1-7
1 - Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?
2 - E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos,
3 - mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.

4 - Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.
5 - Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
6 - E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.
7 - Então, foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.

HINOS SUGERIDOS: 192, 334, 471

OBJETIVO GERAL
Conscientizar acerca da gravidade da queda do ser humano.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
I - Relacionar o livre-arbítrio com a soberania divina;
II - Apresentar a Queda como um evento histórico e literal;
III - Pontuar as consequências da queda de Adão.

• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Alguma coisa deu muito errado com a natureza humana. A Palavra de Deus diz que isso aconteceu por meio do advento da Queda. A doutrina bíblica da queda humana é realista quanto à natureza humana. Ela testemunha a maldade no interior do homem. Essa maldade só pode ser removida por meio de Cristo Jesus. Assim, esse ensinamento é um antídoto para qualquer filosofia ou sistema de pensamento que tenta impor-se alegando que a natureza humana é boa e agradável. Pelo contrário, a Palavra de Deus mostra que o ser humano pode fazer as piores maldades, embora seja capaz de executar empreendimentos maravilhosos.

PONTO CENTRAL
A queda humana representou a perda do completo domínio do homem sobre a criação.

INTRODUÇÃO
Estudaremos, hoje, o capítulo mais trágico da História: a queda do ser humano. No transcorrer da aula, mostraremos que a narrativa do pecado de Adão e Eva, longe de ser uma parábola, foi um evento real, cuja literalidade não pode ser questionada, pois acha-se referendada em toda a Bíblia.

Inicialmente, examinaremos o livre-arbítrio e as suas implicações na experiência humana. Em seguida, averiguaremos a queda em si. E, depois, focaremos as consequências da rebelião adâmica. Trata-se, pois, de uma temática imprescindível ao estudo da doutrina do homem, conforme a encontramos na Bíblia Sagrada.

Que o Espirito Santo nos ilumine a compreender esta aula.

I - LIVRE-ARBÍTRIO DO SER HUMANO
Neste tópico, definiremos o livre-arbítrio. Em seguida, veremos o seu relacionamento com a soberania divina, e, finalmente, trataremos da responsabilidade humana frente às ordenanças divinas.



1. O livre-arbítrio.
É o dom que recebemos de Deus, através do qual podemos, desimpedidamente, escolher entre o bem e o mal (Dt 28.1; Js 24.15; 1 Rs 18.21; Hb 4.7). Sem o livre-arbítrio, não seríamos o que hoje somos: seres autônomos, conscientes da própria existência e de nosso lugar no Universo criado por Deus.
2. A soberania divina.
É o direito absoluto, irrestrito e inquestionável, que possui Deus sobre toda a sua criação (Êx 9.29; Dt 10.14; Sl 135.6). Portanto, o Senhor age como lhe aprouver. Em suas mãos, somos o barro; Ele, o soberano oleiro (Jr 18.6). Não nos cabe questionar a soberania do Todo-Poderoso (Rm 9.20). Ele é Deus e Senhor!

Não devemos, por outro lado, ver a soberania divina como algo despótico e tirânico, porquanto todas as ações de Deus são fundamentadas em seu amor, justiça e sabedoria. O que Ele faz agora só viremos a compreender mais à frente (Jo 13.7). Descansemos, pois, na vontade divina (Sl 37.5).

3. A responsabilidade humana.
Entre o livre-arbítrio e a soberania divina encontra-se a nossa responsabilidade (Jr 35.13). Não resta dúvida de que Deus permite-nos o direito de obedecer-lhe ou nãos aos mandamentos (Dt 11.13). Todavia, Ele nos chamará, um dia, a prestar contas quanto às nossas escolhas (Ec 11.9; 12.14). O Juízo Final não é ficção; é a realidade que aguarda a espécie humana na consumação de todas as coisas (Ap 20.11-15).

SÍNTESE DO TÓPICO I
Entre o livre arbítrio e a soberania divina encontra-se a nossa responsabilidade humana.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
A soberania de Deus anula a responsabilidade humana? A soberania de Deus e o livre-arbítrio são excludentes? Estas são perguntas que você pode fazer para introduzir este tópico. A relação entre soberania divina e livre-arbítrio está presente nas Escrituras Sagradas. Para enriquecer a exposição deste primeiro tópico, consequentemente respondendo às perguntas acima elaboradas, leve em conta o seguinte fragmento textual: "Há os que perguntam, por exemplo, como pode Deus saber quem há de se perder, e mesmo assim, permitir que os tais se percam. 0 conhecimento prévio de Deus, porém, não predetermina as escolhas individuais, porquanto Ele respeita nosso arbítrio. Em Efésios 1.3-14, temos o esboço da história predeterminada do mundo. Mas esse vislumbre da predestinação do Universo não elimina as 'ilhas da liberdade' que Deus nos reservou, pois Ele nos fez indivíduos e livres. Ele permite que as pessoas escolham o próprio destino; Céu ou inferno" (MENZIES, William W. (Ed.). Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.41).

ll – A QUEDA, UM EVENTO HISTÓRICO E LITERAL
A apostasia de Adão e Eva deu-se em consequência do conflito entre o livre-arbítrio humano e a soberania divina. Nesse episódio, houve a possibilidade da queda, a realidade da tentação e a historicidade da queda.

1. A possibilidade da queda.
Em sua inquestionável soberania, Deus criou Adão e Eva livres, permitindo-lhes o direito de obedecê-lo ou não. Todavia, a ordem do Senhor, concernente à árvore da ciência do bem e do mal, era bastante clara (Gn 2.16,17). Se eles optassem por ignorá-la, teriam de arcar com as consequências de seu ato: a morte espiritual seguida da morte física.

2. A realidade da tentação.
Ao ser tentada pela serpente, Eva deixou-se enganar pela velha e bem arquitetada mentira de Satanás - a possibilidade de o homem vir a ser um deus (Gn 3.1-6; 2 Co 11.3). No instante seguinte, Adão e Eva pecaram contra Deus (1 Tm 2.14). Tendo em vista a representatividade de Adão, foi ele responsabilizado pela entrada do pecado no mundo (Rm 5.12).

3. A historicidade da queda.
A narrativa da queda do ser humano tem de ser acolhida de forma literal, pois o livro de Gênesis não é uma coleção de parábolas mitológicas, mas um relato histórico confiável (2 Co 11.3; Rm 15.4). Tratemos, com temor e tremor, a Bíblia Sagrada - a inspirada, inerrante, infalível e completa Palavra de Deus.

SÍNTESE DO TÓPICO II
No episódio da Queda humana houve a possibilidade da queda, a realidade da tentação e a historicidade da queda.

SUBSÍDIO-TEOLÓGICO
“Um erro comum é considerar o pecado substância. Mas se o pecado fosse uma substância ou coisa, então, sem dúvida, teria sido criado por Deus, e, assim sendo, seria essencialmente bom. Mestres cristãos, através dos séculos, em vista do ódio de Deus contra o pecado na Bíblia como um todo, têm rejeitado a ideia de que o pecado tenha sua origem em Deus. Embora o pecado não seja uma substância, não significa que seja destituído de realidade. As trevas são a ausência da luz. Embora o pecado e o mal sejam, algumas vezes, comparados com as trevas, eles são mais que a mera ausência do bem. 0 pecado também é mais que um defeito. É uma força ativa, perniciosa e destruidora" (MENZIES, William W. (Ed.). Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.73).

Ill - AS CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA DE ADÃO

Devido à sua rebelião contra o Senhor, a raça humana teve de arcar com pesados encargos: a consciência do pecado, a perda da comunhão com Deus, a transmissão do pecado às gerações subsequentes, a enfermidade da terra e, finalmente, a morte física.

1. A consciência do pecado.
Ao tentar a mulher, a antiga serpente prometeu-lhe a onisciência divina, mas o que os nossos pais herdaram foi uma consciência pecaminosa geradora de obras mortas (Gn 3.1-6; Tt 1.15; Hb 9.14). O pecado leva-nos a perder o brilho do rosto e o vigor físico (Sl 31.10; Sl 32.3). Eis porque o homem precisa nascer da água e do Espírito (Jo 3.5).

2. A perda da comunhão com Deus.
Em consequência de seu pecado, Adão e Eva foram expulsos da presença de Deus (Gn 3.23,24). De agora em diante, não poderiam mais viver no jardim do Éden, onde, diariamente, conversavam com o Senhor (Gn 3.8). Mas, apesar de haverem ofendido a Deus, continuaram a ser alvo de seu imenso, eterno e infinito amor (Jo 3.16).

Desde a queda, o ser humano, para reatar a comunhão com Deus, tem de aproximar-se dele pela fé (Hb 11.6). Nesse retorno, não estamos sós. Jesus Cristo é o nosso medianeiro eficaz (Rm 5.1). Ele é o Verdadeiro Deus e o Verdadeiro Homem (1 Tm 2.5).

3. A transmissão do pecado à espécie humana.
Sendo Adão o pai de toda a raça humana, o seu pecado acabou por alcançar a todos os homens (Rm 3.23; 5.12). Aquilo que chamamos de “pecado original" contaminou universalmente a humanidade. Até mesmo o recém-nascido já traz consigo essa semente (Sl 51.5). Embora a criança, na fase da inocência, não tenha a experiência do pecado, a iniquidade adâmica acha-se impregnada em seu interior, prestes a ser despertada. Somente em Cristo podemos vencer tanto o pecado original como o experimental (1 Jo 1.7).

Muitas crianças são recolhidas por Deus, na fase de inocência, apesar da iniquidade dos pais (1 Rs 14.13). Entre os que morreram sem a experiência do pecado acham-se os inocentes assassinados por Herodes (Mt 2.16).

4. A enfermidade da Terra.
Por causa do pecado de Adão, até a própria Terra adoeceu. Expulso do Éden, Adão teria de trabalhar, com redobrado esforço, a fim de prover o seu sustento cotidiano (Gn 3.17). Desde então o nosso planeta vem sofrendo com fomes, tremores de terra e inundações (Mt 24.7).

Em sua Epistola aos Romanos, o apóstolo Paulo descreve a Terra como que gemendo por causa das expectativas quanto às últimas coisas (Rm 8.22). Mas, quando o Reino de Deus manifestar-se, logo após a Grande Tribulação, o planeta será curado de todas as suas enfermidades (Is cap. 35).

5. A morte física.
O homem não foi criado para experimentar a morte física. Nesse sentido, podemos dizer que fomos criados imortalizáveis; com a possibilidade de viver indefinidamente (Gn 2.17). Não somente a eternidade, mas de igual modo a imortalidade, achavam-se no ser humano.

A morte é a mais triste consequência do pecado (Rm 6.23). Todavia, a pior morte que alguém pode experimentar é a separação eterna de Deus; a segunda morte (Ap 2.11; 20.6). Quanto a nós, os que já recebemos Jesus Cristo como o nosso Senhor e Salvador, a morte não terá efeito, porque Ele é a ressurreição e a vida (Jo 11.25).

SÍNTESE DO TÓPICO III
As consequências do pecado foram: a consciência do pecado, a perda da comunhão com Deus, a transmissão do pecado às gerações subsequentes, a enfermidade da terra e, finalmente, a morte física.

SUBSÍDIO-TEOLÓGICO
"O pecado de nossos primeiros pais teve diversas consequências. Eles entraram em estado de culpa. E não somente se tornaram cônscios de seu ato e da separação de Deus na qual haviam incorrido, mas sabiam que estavam sujeitos à penalidade atrelada ao mandamento de Deus, em caso de desobediência. Alguns, atualmente, confundem sentimento de culpa com a própria culpa. São crentes que aceitaram o perdão outorgado por Cristo, mas ainda conservam restos de sentimento de culpa. O sentimento de culpa resulta de uma consciência maculada. A própria culpa é a responsabilidade legal pelo erro praticado aos olhos de Deus, o que incorre em penalidade" (MENZIES, William W. (Ed.). Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.73).

CONCLUSÃO
Dois fatos marcam a doutrina do homem nas Sagradas Escrituras: a criação e a queda. À primeira vista, o pecado de Adão trouxe graves consequências a Criação. No entanto, Deus jamais foi surpreendido por qualquer fato. Ele não é um ser reativo, nem vive de improvisos. Nenhum processo, quer nos Céus, quer na Terra, jamais o surpreendeu, porquanto Ele é o Ser Supremo por excelência. Ele é o que é: o Deus bendito eternamente.

A fim de sanear o pecado do homem. Deus, em sua presciência, já havia separado o Imaculado Cordeiro, desde a fundação do mundo, para redimir-nos de todos os pecados (Ap 13.8).

PARA REFLETIR
A respeito de "A Queda do Ser Humano", responda:

          O que é o livre-arbítrio?
É o dom que recebemos de Deus, através do qual podemos, desimpedidamente, escolher entre o bem e o mal.

        Há alguma incompatibilidade entre o livre-arbítrio e a soberania divina?
Não, pois entre o livre-arbítrio e a soberania divina encontra-se a nossa responsabilidade (Jr 35.13).

        O que está entre o livre-arbítrio e soberania divina?
A responsabilidade humana.

        O homem foi criado imortalizável. Discorra sobre o assunto.
O homem não foi criado para experimentar a morte física. Nesse sentido, podemos dizer que fomos criados imortalizáveis; com a possibilidade de viver indefinidamente (Gn 2.17). Não somente a eternidade, mas de igual modo a imortalidade, achavam-se no ser humano.

        Deus foi surpreendido pela queda do homem?
Deus jamais foi surpreendido por qualquer fato. Ele não é um ser reativo, nem vive de improvisos. Nenhum processo, quer nos Céus, quer na Terra, jamais o surpreendeu, porquanto Ele é o Ser Supremo por excelência.


SUGESTÃO DE LEITURA PARA VOCÊ:
1) Lições Bíblicas Dominical dos Adultos Aqui
2) Lições Bíblicas Dominical dos Jovens Aqui
3) VIDEOAULA DominicalAqui
4) Novos Estudos Bíblicos Aqui

Como era o Ensino nos Tempos Bíblicos?

Embora o ensino religioso do povo bíblico haja nascido com Adão e Eva, nem sempre teve um caráter formal. No tempo de Abraão, a educação espiritual e moral das crianças hebreia era responsabilidade dos patriarcas. Eram estes considerados não apenas os chefes de suas famílias como também: profeta, sacerdote e professor do lar.

Eles detinham um poder irresistivelmente monárquico:

a. ditavam as normas;
b. arranjavam casamentos;
c. comandavam pequenos exércitos;
d. negociavam a paz;
e. estabeleciam tratados e alianças com outros clãs;
f. Orientavam a vida econômica de seus descendentes.

1. O Ensino no Antigo Testamento
O que mais os caracterizava, porém, era a sua responsabilidade espiritual e pedagógica. Sua missão era educar os filhos nos caminhos do Senhor, para que o conhecimento divino não viesse a perder-se entre a gente idólatra de Canaã e do Egito.

O Antigo Testamento registra a pedagogia de Deus em relação a Israel - cuja direção é interpretada pelo sacerdote, pelo profeta e pelo rei -assinalando um tipo de ensino mais pessoal e imediato:

“Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o maior até o menor deles, diz o Senhor; Pois perdoarei as suas iniquidades, e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jr 31.34).

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Na verdade, a docência no AT significa o caminho pelo qual Deus conduz seu povo. São lembradas a cada geração, as maravilhas que o Senhor fez e cantadas suas bênçãos para o povo (SI 78). Esta recordação do povo judeu não é um mero exercício intelectual, mas uma dramatização na qual a geração mais jovem participa desses fatos.
A medida que se relata a história, o jovem israelita cruza com o povo o Mar Vermelho, acampa no deserto, recebe a Lei, entra no Pacto da Aliança com Deus e é introduzido na Terra Prometida. Trata-se, pois, de um relato que possibilita as novas gerações de participar da história de Israel, em Javé.

Por esta razão, a instrução tem lugar no culto, tanto no comunitário quanto no familiar. Essas cerimônias suscitam explicações, e estas levam à confissão e à esperança (Dt 6.20-25).

O período intertestamentário deu lugar à progressiva legalização do ensino religioso. A Torá (Pentateuco, Lei) perdeu muito de seu caráter dinâmico, transformando-se num emaranhado de conceitos que eram cumpridos mecanicamente.

A vontade de Deus viu-se cada vez menos como sua direção bondosa, e cada vez mais como um complexo de preceitos que exigiam um esforço penoso do ser humano. Reside aqui a essência do conflito entre Jesus e os escribas e fariseus (Mt 23).

1.1. Nos dias de Moisés

Além de promover o ensino nacional e congregacional de Israel, Moisés atribuiu muita importância à instrução domesticai Aos pais, exorta-os a atuarem como professores de seus filhos: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te” (Dt 6.6-7). Isto é clara e solenemente reiterado em Deuteronômio 11.19,20.

As reuniões públicas ecebiam igual incentivo: “Congregai o povo, homens, mulheres e pequeninos, e os estrangeiros que estão dentro das vossas portas, para que ouçam e aprendam, e temam ao Senhor vosso Deus, e tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei; e que seus filhos que não a souberem ouçam, e aprendam a temer ao Senhor vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra a qual estais passando o Jordão para possuir” (Dt 31.12,13).

O sistema educacional de Moisés foi eficientíssimo. Antes, os hebreus não passavam de um bando de vassalos; nem pela liberdade ansiavam de tão acostumados que estavam à servidão egípcia. Era-lhes suficiente a comida de Faraó. Sua noção de um Deus Único e Verdadeiro era precária, como precária sua percepção vocacional de povo santo, sacerdotal e profético. Com o surgimento de Moisés, todavia, começaram eles a olhar além das pirâmides e das margens do Nilo.

1.2. No tempo dos Reis, profetas e sacerdotes

Alguns reis de Judá, estimulados pelos profetas, restauraram o ensino da Palavra de Deus, encarregando desse mister1 os levitas. Eis o exemplo de Josafá: “No terceiro ano do seu reinado enviou ele os seus príncipes, Ben-Hail, Obadias, Zacarias, Natanel, Micaías, para ensinarem nas cidades de Judá; e com eles os levitas Semaías, Netanias, Zebadias, Asael, Semiramote, Jônatas, Adonias, Tobias, Tobadonias e, com estes levitas, os sacerdotes Elisama e Jeorão. E ensinaram em Judá, levando consigo o livro da Lei do Senhor; foram por todas as cidades de Judá, ensinando entre o povo” (2Cr 17.7-9).

O bom rei Josafá incumbiu os príncipes do ensino da Lei de Deus.

1.3. Na época de Esdras
Foi Esdras um dos maiores personagens da história hebréia. Entre as suas realizações, acham-se os estabelecimentos das sinagogas em Babilônia,(cTensin5~5isteffiatíco3e popularizado da Palavra de Deus na Judeia e, cléTacordo com a tradição, a definição e fixação do cânon do Antigo Testamento.

Provavelmente foi ele também o autor dos livros de Crônicas, Neemias e da porção sagrada que leva o seu próprio nome.

Nascido em Babilônia durante o exílio, Esdras viria a destacar-se como escriba e doutor da Lei (Ed 7.6). No sétimo ano de Artaxerxes Longímano (458 a.C.), recebe ele a autorização para transferir-se à terra de seus antepassados. Acompanham-no grande número de voluntários, que, consigo, trazem dinheiro e material para reerguer o templo e restabelecer o culto sagrado.

Se a tradição judaica estiver correta, a maior realização de Esdras, como pedagogo, foi o estabelecimento das sinagogas durante o exílio judaico em Babilônia. Os judeus longe de sua terra, distantes do Santo Templo e afastados de todos os rituais do culto levítico, através de Esdras, juntamente com outros escribas e eruditos, fundaram uma escola para funcionar como lugar de adoração, como local de instrução e alfabetização e como centro de preservação da cultura hebréia. Nasce, assim, a sinagoga.

Foi no âmbito desse edifício, muitas vezes simples e rústico, que a religião mosaica pôde manter-se incontaminada numa terra onde prevalecia a vil idolatria.

A Escola Bíblica Dominical, como hoje a conhecemos, tem muito da antiga sinagoga. Dedicam-se ambas ao ensino relevante e popularizado da Palavra de Deus.

Já na Terra de Promissões, Esdras continuou a ensinar a Palavra de Deus aos seus contemporâneos. Em Neemias capítulo oito, deparamo-nos com uma grande reunião ao ar livre.

2. O Ensino no Período Inter-Bíblico

O período helenista começou com Alexandre, o Grande, passando pelo período grego romano, num tempo aproximado de trezentos anos. Corresponde mais ou menos ao período inter-bíblico. Foi nesse tempo que a língua e cultura gregas se espalharam pelo mundo civilizado da época.

O helenismo foi um fenômeno cultural, militar, religioso e político e, naturalmente, influenciou o judaísmo e o cristianismo. No tocante a educação, os sistemas do helenismo tinham suas raízes nos sistemas radicalmente diferentes de Esparta e Atenas.

• Esparta: frisava o aspecto militar e o indivíduo era subjugado, tornando-se subserviente ao Estado.

• Atenas: enfatizava a filosofia, as artes e as ciências. A idéia era o máximo de treinamento e desenvolvimento do indivíduo, de maneira tal que pudesse produzir o máximo, em benefício da cultura geral.

* Platão foi um pioneiro na filosofia da educação. Em sua obra, República, ele oferece detalhes sobre suas idéias educacionais, enfatizava o aspecto científico.

* Sócrates foi o mestre de Platão, e também foi supremo mestre da ética.

* Aristóteles foi pupilo deste e tornou-se o maior cientista da época. Ambos elaboraram teorias arrojadas sobre o conhecimento.
* Alexandre, o Grande, foi aluno de Aristóteles e tornou-se um propagador da cultura grega de todos os tipos, em todo o mundo conhecido de seus dias.
As filosofias de Platão e Aristóteles continuaram a dominar o pensamento do mundo civilizado por muitos séculos, juntamente com o (estoicismo e o epicurismo). Platão exerceu uma imensa influência sobre o pensamento religioso e o neoplatonismo foi uma adaptação de suas idéias.

3. No período do ministério terreno de Cristo

O ensino de Jesus restabeleceu a finalidade central da ação redentora da graça de Deus (Rm 5.1-11; 17-20). Os Evangelhos revelam Jesus como o Mestre que, com seu exemplo e sua autoridade, veio transformar as pessoas de maneira total e absoluta (Jo 3.16-17).

Para Jesus, o ensino era a ilustração do comportamento de Deus em relação aos homens na manifestação de seu Reino sobre a totalidade da vida do ser humano. Assim, a ação de Deus é, a um só tempo, a doutrina de Deus e o ensino de Deus: Jesus Cristo é o Mestre, de modo bem distinto dos escribas e fariseus.

A promessa contida em Isaías 54.13 foi cumprida integralmente pelo Nazareno: “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo” (Mt 4.23).

A Bíblia Sagrada mostra-nos Jesus como o Mestre que transforma as pessoas de maneira completa (2Co 5.17). E o seu ministério é tipicamente um ministério docente: ensinava pregando e, pregando, ensinava (Mt 11.1).

Suas memoráveis parábolas (Mc 4.2), seus diálogos inesquecíveis em situações e circunstâncias das mais diversas (Mt 15.21-28; 16.13-20; 20.20-28; Mc 2.23-28; 5.35-43; Lc 18.18-30; 22.14-18; Jo 3.1-21; 4.1-41) e sua doutrina ensinada aos discípulos de ontem, de hoje e de sempre o credenciam como o Educador por excelência. Por meio de Jesus, é o próprio Deus quem nos ensina!

4. Jesus Cristo, o educador por excelência!

Foi o Senhor Jesus, durante o seu ministério terreno, reconhecido como o Mestre por excelência. Afinal, Ele era e é a própria sabedoria. NEle residem todos os tesouros do conhecimento, da sabedoria e da ciência (Cl 2.3).

No final do século II, Clemente de Alexandria intitulava-o de Educador por antonomásia: O Guia celestial, O Verbo, uma vez que começa a chamar os homens à salvação... cura e aconselha ao mesmo tempo. Devemos chamá-lo, então, com um único título: Educador dos humildes...

“Como ousaremos tomar para nós mesmos, como indivíduos e como Igreja, o título que corresponde somente a Ele? Que implicação tem este título para cada um de nós? Não é este o grande desafio da educação cristã?”.

Era o Senhor admirado por todos, pois a todos ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas e fariseus (Mt 7.29).

Em pelo menos 60 ocasiões, é o Senhor Jesus chamado de Mestre nos Evangelhos. Pode haver maior distinção que esta? Isto, porém, era insuportável aos escribas e rabinos por não terem condições de competir com o Filho de Deus.

Jesus não se limitava a ensinar nas sinagogas. Ensinava nas casas, nas mais esquecidas aldeias, à beira mar, num monte e até mesmo no Santo Templo. Sempre encontrava ocasião e oportunidade para espalhar as boas novas do Reino de Deus.

Ele curava os enfermos, realizava sinais e maravilhas e operava singulares prodígios. Mas, por maiores que fossem suas obras, jamais comprometia o ministério do ensino.

Antes de ascender aos céus, onde se acha à destra de Deus a interceder por todos nós, deixou com os apóstolos estas instruções mais que explícitas:

“Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mateus 28.19,20).

Reverberação: Subsídios EBD | Referência: Educação Cristã – IBADEP.

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