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Lição 6 Eu Sou Jesus



Classe: Jovens | Trimestre: 1° de 2020 | Revista: Professor | Lições Bíblicas de Jovens, CPAD – Aula: 09/02/2020

TEXTO DO DIA
"Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou."  (Jo 8.58)
SÍNTESE
A convicção de Jesus quanto a seu chamado, ministério e vocação, fica bastante explícita nas declarações contundentes e impactantes que Ele fez e os escritores sagrados registraram ao longo dos quatro Evangelhos.
 
Agenda de leitura
SEGUNDA - Mc 14.62
Ele assume publicamente ser o filho de Deus
TERÇA - Jo 4.26
Ele é o Messias que havia de vir
QUARTA - Jo 6.35
Ele é o pão da vida
QUINTA - Jo 11.25
Ele é a ressurreição e a vida
SEXTA - Jo 15.1
Ele é a videira verdadeira
SÁBADO - Jo 18.5
Mesmo nas horas mais difíceis Ele não se acovarda de assumir sua identidade

Objetivos
RELACIONAR a afirmação de Jesus, "Eu sou a Luz do Mundo", com a celebração da Festa dos Tabernáculos;
PRESENTAR a superioridade da liderança de Jesus como "Bom Pastor";
REFLETIR sobre a responsabilidade de servir ao único Salvador do mundo.

Interação
O desafio de ser educador hoje em dia é enorme, ser educador Cristão então, não é nada fácil. Em algumas ED's temos uma segmentação excelente, classe subdivididas dentro da melhor disposição para cada igreja local (faixa etária, gênero, função/vocação ministerial etc.), mas já em outras igrejas, temos apenas uma ED em classe única. Existem igrejas onde a lição é ministrada em sala preparadas especialmente para a ED, na grande maioria das AD's no Brasil, a aula acontece no interior do templo, com classes diversas funcionando simultaneamente. Em algumas comunidades, temos um considerável nível de erudição secular, formação teológica, já em outras, o educador tem o desafio de ministrar a aula para alunos que - muitas vezes - vivem o milagre de terem sido letrados através da leitura devocional da Bíblia. Não importa em qual condição você vive: se nas melhores estruturas físicas, com os mais incríveis alunos ou não, o diferencial da ED sempre será você, caríssimo Educador Cristão, MUITO OBRIGADO.       

Orientação Pedagógica
Antecipadamente, prepare folhas de papel coloridas e escreva em cada uma delas, três vezes, a expressão:
"Eu sou ________".  Distribua as folhas preparadas e caneta; depois solicite a seus alunos que preencham o complemento para cada uma das três lacunas. O momento central da dinâmica será a reflexão sobre as respostas de cada educando. É necessário ter consciência que para algumas pessoas será muito desafiador definir-se, por isso, tenha paciência e sensibilidade para escutá-los, já em outros casos é possível que o educando necessite de sua mediação como professor - cheio de palavra de ciência e sabedoria - para refletir sobre a auto-identificação escolhida por ele. Após as falas e reflexões, ore, agradecendo ao Pai, por aquilo que Ele nos faz ser.



Texto bíblico
João 8.49-58
49      Jesus respondeu: Eu não tenho demônio; antes honro a meu Pai, e vós me desonrais.
50      Eu não busco a minha glória; há quem a busque, e julgue.
51      Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.
52      Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora, conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte.
53      És tu maior do que o nosso pai Abraão, o nosso pai, que morreu? E também os profetas morreram; quem te fazes tu ser?
54      Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus.
55      E vós não o conheceis, mas eu conheço-o; e, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.
56      Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.
57      Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?
58      Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou.

INTRODUÇÃO
Há nos Evangelhos um conjunto de afirmações de Jesus que causaram muita repercussão entre os religiosos de sua época; são declarações que Ele inicia com a expressão "Eu sou" (Jo 6.35; 8.12; 10.7,9,11,14; 11.25; 12.46; 14.6; 15.1). Um dos momentos mais tensos é em João 8.58,59, quando em virtude de suas declarações Jesus é quase apedrejado. O que justificaria reações tão violentas da parte dos judeus?

I - EU SOU A LUZ DO MUNDO

1. O SENHOR é a luz das nações.
Há no Antigo Testamento um conjunto de referências e associações do SENHOR à luz. O primeiro elemento da criação divina é a luz (Gn 1.3). Desde o início das Escrituras a imagem da luz está em contraposição às trevas, servindo como uma metáfora da oposição entre bem e mal (Is 59.9). Em vários dos registros sobre a manifestação do Senhor, luz, brilho e fulgor, sempre estão presentes (Êx 19.16; 2 Sm 22.13; Sl 18.12). Em Salmo 27.1 a bênção da salvação está associada à luz, como sendo a orientação divina para uma vida boa. O fiel Simeão, em sua velhice, teve o privilégio de testemunhar o aparecimento do Messias (Lc 2.25-32); em seu louvor ele ora ao Altíssimo declarando que o redentor Jesus é aquEle que veio ao mundo para iluminar as nações, ou seja, para ser o único capaz de libertar a humanidade das trevas da ignorância e conduzir-nos ao caminho do bom Salvador.

2. A afirmação de Jesus e sua relação com a Festa dos Tabernáculos.
Em meio a um contexto celebrativo da Festa dos Tabernáculos ou das Tendas (Lv 23.33-36; Dt 16.16; Jo 7.2,37), Jesus apresenta-se como "Luz do mundo". Tal afirmação, que para nós manifesta a deidade de Cristo e sua associação direta com a imagem do glorioso Senhor Jeová do Antigo Testamento, tinha outros significados que a audiência de Jesus conseguia captar com facilidade. A Festa das Tendas, celebrada durante sete dias mais um, era popularmente conhecida como a celebração da alegria, e isto por um conjunto de fatores específicos: Ela acontecia quatro dias após o dia do perdão, Yom Kippur, (Lv 23.27). Logo o povo estava livre para festejar com alegria, uma vez que a culpa por seus pecados foi retirada de sobre cada indivíduo. Já o objetivo litúrgico-cultural era lembrar ao povo o tempo de sua peregrinação e como, de modo milagroso, o Senhor sustentou-lhes no deserto enquanto moravam em tendas. Há, no entanto, um aspecto desta celebração que está diretamente associado à declaração de Jesus sobre ser a luz: O texto sagrado lido nesta cerimônia era Zacarias 14. Ora, para além da relação com a questão da "água viva" (Zc 14.8) que Jesus também já havia feito referência (Jo 7.38), o texto do profeta Zacarias também anuncia profeticamente que quando vier o Senhor haverá luz (Zc 14.7). Feita toda esta contextualização, as palavras de Jesus em João 8.12 ganham forte caráter de cumprimento profético. A alegria que Jerusalém esperou por séculos havia chegado, personificada em um homem simples, mas poderoso em obras e palavras (Lc 24.19).

3. Precisamos da Luz!
A Bíblia Sagrada, mais especificamente o Novo Testamento, é rico na exortação de que devemos andar na luz (1 Jo 1.7), viver como filhos da luz e não das trevas (Jo 12.36; Ef 5.8), protegermo-nos com as armas da luz (Rm 13.12). O Inimigo do Reino de Deus tem roubado a luz de muitas pessoas e por isso elas tem tornado-se incapazes de entender a beleza do Evangelho (2 Co 4.4). Quem ama as trevas não está em Deus, pois deseja esconder quem é e o que fez (1 Co 4.5), por isso nós os filhos de Deus, não podemos associarmo-nos às trevas e sim denunciá-las (Ef 5.11).

II - O BOM PASTOR

1. A expressão "Bom Pastor" como uma rememoração de uma imagem do Antigo Testamento.
Não podemos perder de vista o fato de Jesus ter vivido num contexto da cultura e religião judaica; assim, sempre que possível devemos levar em consideração, nas falas do Salvador, prováveis releituras, alusões ou referências a textos ou eventos do Antigo Testamento. Partindo desta hipótese interpretativa João 1.1-21, mais especificamente a figura do "Bom Pastor", seria à necessidade de estabelecimento de um novo modelo de liderança, tendo como base as críticas de Profetas como Jeremias (Jr 23.1-4) e Ezequiel (Ez 34.1-16). Dentre as denúncias proféticas estão o egoísmo de alguns pastores que ao invés de dedicaram-se às ovelhas, preocupavam-se apenas com as futilidades da própria vida (Ez 34.2-10) e a reprovação do trato perverso com as pessoas (Jr 23.1,2). Na imagem de Ezequiel, assim como em João, Deus levantaria um pastor para cuidar e buscar todas as ovelhas de Israel que estavam em sofrimento (Ez 34.11-16).

2. O caráter sacrificial do Bom Pastor.
A postura mais destacável da liderança de Jesus é sua capacidade de se sacrificar pelos seus amigos (vv.17,18). Esta atitude do Mestre inverte completamente a lógica de manipulação e exploração de pessoas que desde a Queda adâmica instaurou-se na humanidade. Jesus não é apenas um teórico da fé e nem uma pessoa que cobra dos outros o que nunca foi capaz de fazer. Para demonstrar seu amor por nós, Ele anuncia seu empenho pessoal em fazer-nos felizes (Jo 10.18,28). No Reino estabelecido por Jesus, os pequenos e frágeis têm protagonismo (Mt 10.42; Lc 12.32; 17.2). Os menores serão aqueles reconhecidos como os mais importantes (Lc 22.22-26); os preteridos são tratados com prioridade.

3. O relacionamento dedicado do Bom Pastor.
Além da doação integral aos liderados, a liderança conforme o modelo de Jesus instaura um outro fundamento revolucionário: O cuidado com o próximo. Jesus deixa explícito que o "Bom Pastor" jamais agiria com covardia ou traição (Jo 10.12, 28). A relação de Jesus com suas ovelhas não obedece um estilo hierarquizado, no qual Ele faria questão de afastar-se de seus liderados e demonstrar sua superioridade com relação aos outros. Pelo contrário, o Senhor conhece aqueles que estão sob sua liderança e eles também sabem quem Ele é, de modo chegado (Jo 10.14,15). A liderança de Jesus não é movida pelo princípio da exclusão/eliminação do outro, e sim, pelo acolhimento e cuidado (Jo 10.16).

III - EU SOU A PORTA
1. A singularidade de Jesus.
Ao declarar-se a porta das ovelhas o Senhor Jesus, utilizando-se desta imagem rural, ressalta o caráter singular de sua vida e ministério. No frágil modelo de pecuária daquela época, o único modo de garantir o controle dos animais do rebanho - que ao amanhecer iriam alimentar-se livremente no campo - era controlar o acesso e a saída deles através de uma única porta. Desta forma, o Senhor Jesus declara-se à humanidade como ÚNICO caminho para conduzir as pessoas até a presença do Salvador (Jo 14.6).

Nunca houve ninguém como Jesus, nem jamais haverá (Mc 12.29; Jo 17.3; Rm 16.27; 1 Tm 1.17; Jd 4, 25). Por quê? Porque seu amor é inigualável (Jo 3.16). Declarar Jesus como incomparável não é, em hipótese alguma, defender algum tipo de discurso de ódio ou intolerância religiosa; trata-se exclusivamente de um princípio inegociável de nossa fé cristã. Por isso, no cotidiano das nossas relações sociais, devemos anunciar o Evangelho apresentando Jesus e suas características excepcionais, deste modo, não há nenhuma necessidade de criticar ou ridicularizar a religiosidade alheia. Por uma exigência da sociabilidade, devemos respeitar a todos, inclusive os que creem diferentes de nós; por uma imposição de fé, devemos amar a todos, mesmo os que não acreditam na Palavra como nós (Lc 6.35).

2. A superioridade de Jesus.
Em João 10.8 o Mestre rotula como ladrões e salteadores (numa acepção moderna, mercenários, piratas, saqueadores, em resumo, um homem que vai à guerra por dinheiro e não por honra ou justiça) todos os que vieram antes dEle. Mas contra quem são essas palavras? É evidente que o Salvador não está falando sobre os patriarcas, profetas e santos do Antigo Testamento que o antecederam, esta é uma das declarações mais contundentes de Jesus sobre os pseudolíderes de sua época. Neste aspecto Jesus está defendendo que qualquer tipo de liderança religiosa que não aponta para a cruz e o sacrifício vicário é inútil e falsa. Qualquer espiritualidade que aponte apenas para o lucro, poder e glória humana pode ter muito espaço entre os homens, mas na verdade, não passará de entretenimento para bodes, ou seja, manipulação de emoções para pessoas que vivem apenas de aparência, sem uma transformação espiritual verdadeira.

3. O poder de Jesus.
Apenas em Jesus encontramos redenção para nossas almas. As palavras aqui em João ressoam aquilo que Ele afirmou em Mateus 11.28. A salvação que Deus tem para nós não é um processo dolorido, como se algum tipo de sofrimento nosso fosse o caminho para a libertação de nossos pecados. Como bem afirma o profeta, nossas culpas foram todas levadas por Ele (Is 53.5). Ao declarar-se a porta, Jesus revela-se como aquEle que possui o poder de quebrar as maldições e fazer em nós novas todas as coisas (2 Co 5.17). O escritor aos Hebreus, usando uma analogia próxima a esta da porta, apresenta-nos Jesus e sua obra como um "novo e vivo caminho" (Hb 10.20). A experiência da conversão é, como o próprio Jesus afirmou em seu sermão da montanha (Mt 7.13,14), semelhante a decisão de percorrer um extenuante e longo caminho, mas cujo final é um lugar de descanso e paz. Seguir a Jesus não é nada fácil (Mt 16.24,25), mas sabemos que Ele vai a frente, por isso, nós chegaremos lá.

SUBSÍDIO
8.57 Jesus não tinha afirmado ser um contemporâneo de Abraão, ou que tivesse visto a Abraão; em vez disso, o Senhor disse que Abraão tinha previsto a sua vinda. O comentário sobre Jesus ainda não ter cinquenta anos é um modo indireto de dizer que Ele ainda não era um homem idoso.

8.58,59 Jesus os surpreendeu com sua resposta: "Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou!" Abraão, como todos os seres humanos, passou a existirem um ponto no tempo. Mas Jesus nunca teve um início - Ele sempre foi eterno, e, portanto, sempre foi Deus. Ele estava inegavelmente proclamando a sua divindade. Nenhuma outra figura religiosa em toda a história fez tais reivindicações. Ou Jesus era Deus, ou era louco. A sua reivindicação de divindade exige uma resposta. Ela não pode ser ignorada. Isto era demais para os judeus; estas palavras os inflamaram tanto que eles pegaram em pedras para matá-lo por blasfêmia de acordo com a lei (Lv 24.16). Os líderes entenderam bem o que Jesus estava afirmando; e por não crerem nele, eles o acusaram de blasfêmia. Na verdade, eles eram realmente os blasfemadores, amaldiçoando e atacando o Deus a quem afirmavam servir! Mas Jesus ocultou-se ou "foi ocultado"(talvez significando que Ele tenha sido guardado por Deus)" (Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Vol 1. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. p. 543).

CONCLUSÃO
Conhecer o Senhor Jesus é fundamental para todo aquele que deseja ser um verdadeiro discípulo do Salvador. Jamais poderemos ser amigos do Mestre se mantivermos com Ele apenas um relacionamento burocrático-religioso. Entender cada um dos discursos e declarações do nosso Redentor deve ser um ideal de vida para cada um de nós. Por isso, para tanto, dediquemo-nos cada vez mais a um estudo sistemático das Escrituras, lendo as palavras de Jesus de Nazaré como uma Escritura viva.

ORA DA REVISÃO
1. Que relação a declaração de Jesus - "Eu sou a luz do mundo" - tem com a celebração da Festa dos Tabernáculos?
A afirmação de Jesus aponta para o cumprimento da profecia de Zc 14, este que era o texto básico da celebração da Festa dos Tabernáculos.

2. Que referências do Antigo Testamento podemos utilizar para falar de Jesus?
Textos como os dos profetas Jeremias (Jr 23.1-4) e Ezequiel (Ez 34.1-16).

3. "O bom pastor dá a vida pelas ovelhas", de que maneira esta afirmação caracteriza a liderança de Jesus?
Jesus não é um líder egoísta, pelo contrário, seu altruísmo manifesta-se em seu amor e determinação em sacrificar-se por nossa salvação.

4. Quais as duas características de Jesus que estão implícitas na declaração: "Eu sou a porta."?
Singularidade e superioridade.

5. Que consequência a certeza de que Jesus é o único caminho deve produzir em nossas vidas?
Um senso de responsabilidade e comprometimento no anúncio do Evangelho àqueles que ainda não foram alcançados.

SUGESTÃO DE LEITURA:
Lições Bíblicas – Classe: Adultos, Aqui
Lições Bíblicas – Classe: Jovens, Aqui

Lição 5 - Os Títulos de Jesus Cristo


Classe: Jovens | Trimestre: 1° de 2020 | Revista: Professor | Lições Bíblicas de Jovens, CPAD – Aula: 02/02/2020

TEXTO DO DIA
"E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai." (Fp 2.11)

SÍNTESE
O conhecimento claro e seguro de quem o Senhor Jesus é, através dos seus vários títulos, tem o poder de trazer a luz à solução para vários aspectos relevantes da pessoa do Salvador do mundo.

Agenda de leitura
SEGUNDA - Mt 12.18
A maneira mais comum de Jesus chamar-se
TERÇA - Mt 12.8
O filho do homem como metáfora da humanidade
QUARTA - 2Cr 21.7
O cumprimento da promessa feita a Davi
QUINTA - Mt 12.23
O reconhecimento público da vocação messiânica de Jesus
SEXTA - Mt 16.16
Quem é Jesus?
SÁBADO - 1Pe 4.14
O nome pelo qual vale a pena ser escarnecido

Objetivos
I - REFLETIR sobre a denominação de Filho do Homem;
II - ASSOCIAR o título "Filho de Davi" à natureza profética e majestática do ministério de Cristo;
III - APRESENTAR o conceito de messianeidade como central no Cristianismo.

Interação
Grande parte dos problemas com que nos deparamos em sala de aula tem basicamente duas origens: falta de preparação prévia e ausência de autoavaliação. Com o devido preparo antecipado conseguimos minimizar os efeitos negativos de eventuais contratempos que venhamos a enfrentar em sala de aula, por isso, estude regularmente as lições, prepare seu roteiro particular de exposição do conteúdo - tendo em vista que a Lição Bíblica é um norte, um possível caminho de abordagem, jamais uma camisa-de-força didático-pedagógica. Já a autoavaliação é importante na medida em que nos permite adequar rotinas e estratégias à realidade vigente. Talvez um método utilizado por você antes, neste semestre não está sendo eficaz, ou ainda, ocorreram mudanças no contexto de suas aulas que exigem - também - mudanças da sua parte. Assim, uma autoavaliação durante o processo pedagógico poderá enriquecer suas aulas e evitar insucessos.

Orientação Pedagógica
Aproveitando todo o ambiente de descontração que deve ser uma sala de jovens, inicie sua aula perguntando a seus alunos se eles conseguem perceber a diferença entre um apelido e um nickname. Ao pé-da-letra, ambas palavras significam a mesma coisa, na prática, todavia, há uma sutil e relevante diferença: o apelido geralmente é uma designação atribuída por outras pessoas a um indivíduo no mundo real, já o nickname é a maneira pela qual um indivíduo escolhe ser chamado no mundo virtual (internet). Ao final das "apresentações", discuta com seus educandos o fato de também terem sido atribuídos a Jesus alguns títulos e dEle ter escolhido ser chamado de alguns nomes em especial. Demonstre a seus alunos que a maneira pela qual somos definidos pelos outros ou definimo-nos diz muito sobre nós. Apresente então alguns nomes que se relacionam diretamente a Jesus e demonstre o nível de revelação e caracterização da pessoa de Jesus em cada um deles.

Texto bíblico
Filipenses 2.5-11
5        De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
6        que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
7        Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
8        e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
9        Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome,
10      para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
11      e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

INTRODUÇÃO

A vinda do filho de Deus ao mundo é o clímax de uma série de promessas anunciadas no Antigo Testamento. Em virtude disto, a Escritura denomina Jesus com um conjunto de títulos e adjetivos, buscando dessa maneira apresentá-lo da melhor forma possível àqueles que não tiveram o privilégio de conviver diretamente com o Salvador. Pensar sobre cada uma das designações de Jesus nos ajudará a compreender melhor a totalidade da obra do Salvador.

I - FILHO DO HOMEM


1. O uso e a origem do conceito do "Filho do Homem" no Antigo Testamento.
Numa tradução, "Filho do homem" em Hebraico é "bem'adam". Este detalhe linguístico-etimológico demonstra a associação do conceito, à princípio, com o caráter adâmico do personagem a quem ela refere-se. Esta expressão está presente no Antigo Testamento em quase 100 versículos. Há, no entanto, uma característica muito peculiar da presença deste termo no Antigo Testamento: ele aparece, em noventa por cento dos casos, no livro de Ezequiel - onde há mais de 90 registros. Em Ezequiel a locução sempre se refere diretamente à pessoa do profeta. Assim, a expressão, num primeiro sentido, corresponde a imagem de um legítimo "Filho de Adão", um "Filho da Humanidade" ou um humano de verdade.

2. A autorreferenciação de Jesus como "Filho do Homem".
Este é um dos títulos mais recorrentes do Novo Testamento - aparecendo mais de 80 vezes. Com raras exceções, o título que Jesus atribui a si mesmo nos três Evangelhos sinóticos é sempre "Filho do Homem". No Novo Testamento, além da expressão também carregar uma possível conotação apocalíptica (Ap 1.13; 14,14), é relevante o fato dela não estar presente na vasta literatura de Paulo. O termo pode ser entendido como uma autorreferência de Jesus a sua humanidade e um esforço de esclarecer sua vocação espiritual, e não política (Mc 9.31; Lc 12.40), especialmente como uma possível indicação do cumprimento profético de Gênesis 3.15. Porque Jesus optaria por atribuir a si mesmo, tantas vezes, este título em específico? São várias as possibilidades de respostas, dentre algumas: Por sua conotação de humildade e simplicidade; em momento algum do Evangelho vemos Jesus exigindo para si mesmo, com arrogância, tratamento por meio de títulos. Ao contrário, o Salvador sempre portou-se como um de nós; e como bem fala o escritor aos Hebreus, Ele não se envergonha de chamar-nos de seus irmãos (Hb 2.11).

3. O paradigma de Jesus para nossas autoavaliações.
Jesus não incomodou-se em ser reconhecido a partir da sua humanidade, mesmo sabendo de todas as limitações que tal condição lhe acarretava. Por que nós deveríamos dar crédito a qualquer tipo de movimento religioso, evangélico ou não, que defende - aberta ou dissimuladamente - uma divinização da humanidade? Deste modo, é necessário denunciarmos e/ou abandonarmos todo modelo de falso Cristianismo que procura endeusar pessoas, inflacionando seus egos e entorpecendo suas autopercepções. Quanto mais próximos de Deus, mais humanos nos reconheceremos (Lc 5.8), e isto nunca será prejudicial, antes, será um ótimo antídoto contra todo tipo de soberba e insensatez.

II - FILHO DE DAVI

1. A realeza de Jesus.
Este é o título que se refere diretamente à realeza de Jesus. É assim que Mateus apresenta-nos Jesus, logo na primeira frase do seu Evangelho (Mt 1.1). A associação do Mestre da Galileia com o rei Davi concede-lhe o status de personagem que cumpre importantes promessas do Altíssimo feitas ao grande rei de Israel (1 Rs 8.25; 2 Rs 8.19; 2 Cr 21.7; Is 9.7; Jr 33.17). Há um forte caráter messiânico nesse título, uma vez que - num tempo de opressão e controle do Império Romano - somente um legítimo descendente da casa de Davi poderia trazer esperança de cumprimento das profecias sobre a libertação dos filhos de Israel de toda e qualquer opressão. É a partir deste título, inclusive, que a fraudulenta acusação dos líderes religiosos contra Jesus ganha algum tipo de fundamento (Lc 23.2), pois em momento algum dos Evangelhos - senão na crucificação - vemos o título de "Rei dos Judeus" associado ao Mestre, porém, ao ser chamado filho de Davi, este outro título ficava implícito. Ao contrário da designação "Filho do Homem", Jesus nunca se denomina como "Filho de Davi". São basicamente três os episódios no Novo Testamento nos quais o Senhor é nomeado com esse título: A cura da filha da mulher cananeia (Mt 15.22), a cura de Bartimeu (Mc 10.47) e na estrada triunfal em Jerusalém (Mt 21.9-15). Analisemos então, pormenorizadamente, estes três episódios para que possamos mensurar a importância deste título de Jesus.

2. O poder de cura do Filho de Davi.
A mulher estrangeira e o deficiente visual clamarem por cura, chamando Jesus de "Filho de Davi", é um indício de que até as pessoas mais simples e desprestigiadas socialmente tinham plena consciência da magnitude e grandeza de Jesus nos dias de seu ministério. Diferente de César, que percorria seus territórios rodeado de pompa e glamour, o Filho de Davi, verdadeiro e único herdeiro de um trono eterno, caminhava pelos mais inexpressivos rincões, levando consigo saúde e esperança (Lc 1.32,33). Em nada Jesus diminuiu-se por dar atenção a pessoas marginalizadas, indivíduos que não eram - em virtude das condições biossociais - respeitados naquela comunidade. Um rei acolhendo o clamor de uma mãe estrangeira e o pedido insistente de um doente marginalizado é uma prova inconteste de que não são coroas, súditos ou tronos que indicam a realeza de alguém, e sim, o conjunto de ações, uma postura ética, um coração de rei. E tudo isto Jesus tinha. Estes dois milagres de Jesus demonstram uma verdade inquestionável: poder de trazer a morte e a dor qualquer déspota enlouquecido tem, contudo, autoridade sobre demônios e enfermidade - isto é, poder de dar vida - somente Jesus, o "Filho de Davi", tem.

3. O anúncio do rei em sua entrada triunfal.
A imagem de Mateus 21.9 é um momento único nos Evangelho: Jesus adentra Jerusalém aclamado pelo povo não apenas como profeta, mas também como real herdeiro do trono. O clamor da multidão, provavelmente inspirado nos Salmos 20.9 e 118.26, descreve a chegada de uma autoridade na cidade. Era assim que os colonizados por Roma deveriam proceder quando da visita oficial de um senador ou mesmo do imperador. No entanto, quem entrava na cidade era o Salvador, o prometido de Israel, o Filho de Davi. Apenas Mateus, o escritor cuja influência da tradição judaica é mais forte, registra o título atribuído a Jesus, enquanto que os demais evangelistas destacam a realeza do Mestre, sem contudo, associá-la a sua origem davídica (Mc 11.9,10; Lc 19.37,38; Jo 12.13). Como sabemos, pelo menos parte da multidão que celebrou a chegada do Rei dos reis, em uma semana, seria manipulada para pedir a crucificação do Salvador. Desta repentina mudança de comportamento fica um indício: se a mentira e maldade dos religiosos induziram a multidão ao erro, a espontaneidade do povo levou-o à adoração. Por isso, menos protocolos religiosos, mais liberdade para a adoração.

III- MESSIAS

1. Messias-Cristo-Ungido.
Sem dúvida alguma, o título mais importante de Jesus era "Messias" /"Cristo"/ "Ungido" (é importante lembrar que estas três palavras tem o mesmo significado, sendo apenas de idiomas diferentes, respectivamente, hebraico, grego e português). Em momentos marcantes do Evangelho Ele é reconhecido como Cristo; já como Ungido, temos a referência de Atos 4.26. É, porém, como o Cristo que os escritores do Novo Testamento mais se referem a Jesus de Nazaré. O uso do termo justifica-se pela centralidade da obra redentora do Senhor, isto é, falar de Jesus Cristo é apresentar ao mundo o plano da salvação. O Novo Testamento começa (Mt 1.1) e conclui (Ap 22.21) com a referência de Jesus como o Cristo. A ideia da "unção" está, no Antigo Testamento, diretamente associada a realização de uma missão especial (Sl 105.15) e específica (consagração de reis - 1 Sm 10.1; 16.1; 1 Rs 1.39; de sacerdotes - Lv 8.12; e profetas - 1 Rs 19.16 ).

2. Tu és o Cristo!
Num dos momentos mais emblemáticos do Evangelho, o Mestre faz uma pergunta aos seus discípulos acerca da compreensão de sua identidade por parte da comunidade daquela época (Mt 16.13). Os seus amigos apresentam-lhe o diagnóstico de que a multidão não possui ainda uma percepção límpida de quem Jesus é, de um modo geral, confundem-no com uma figura do profetismo do Antigo Testamento. Depois desta problemática constatação, Jesus direciona a mesma pergunta para seus apóstolos. A resposta de Pedro é simplesmente uma das afirmações centrais da história do Cristianismo: "Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo" (Mt 16.16), numa ressonância da imagem do Deus que age na história da humanidade, muito presente em momentos decisivos da história de Israel (Js 3.10; 1Sm 17.36; 2Rs 19.16; Os 1.10,11).

Pedro também enaltece de forma pública Jesus como o Cristo. A resposta do apóstolo é tão categórica que o próprio Jesus afirma que ela não pode ser fruto de uma elaboração humana, antes, produto da revelação divina (Mt 16.17).

3. Quem é Jesus para nós hoje?
Em que parte da história estaríamos hoje se a pergunta fosse feita a nós? Seríamos como a multidão que, ávida por bênçãos e benefícios, via o Senhor apenas como mais um profeta que realizava atos poderosos, ou teríamos a sensibilidade de Pedro e reconheceríamos Jesus como o Cristo? Infelizmente, em muitos lugares, Jesus não passa de alguém equivalente a um remédio para dores de cabeça, a quem recorremos em momentos específicos. Já em outras comunidades Jesus é um trunfo na manga, alguém através de quem demonstra-se poder e glória pessoais. Passa longe, em muitas igrejas, a percepção de Jesus como o Cristo. Na verdade, se Jesus for "apenas" o Cristo, a estratégia de marketing midiático não funciona. Falar da cruz, da necessidade de confissão de pecados e arrependimento não dá "ibope", por isso, em muitos lugares, Jesus é apenas uma marca, quase uma palavra mágica. Precisamos voltar à essência do Evangelho, e concentrarmo-nos em pregar a Jesus Cristo, e este como o crucificado (1Co 2.2).

SUBSÍDIO

"Mateus 16.14. E eles disseram. Os discípulos estavam prontos a responder, porque sabiam que a opinião popular estava dividida sobre esse ponto (Mt 14.1,2). Dão quatro opiniões. Jesus não mostrou muito interesse nessa resposta. Ele sabia que os fariseus e saduceus lhe eram amargamente hostis. As multidões só o estavam seguindo superficialmente, e nutriam expectativas vagas acerca dEle como um Messias político. O seu interesse concentrava-se mais nas observações feitas pelos discípulos e na fé em desenvolvimento.

Mateus 16.15. E vós, quem dizeis que eu sou? E o que importa. E o que Jesus queria ouvir. Note a posição enfática da palavra: "E vós, quem dizeis [vós] que eu sou?"
Mateus 16.16. Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Pedro fala por todos. Tratava-se de uma nobre confissão, mas não uma nova declaração. Pedro já a fizera antes (Jo 6.69), quando a multidão abandonara Jesus em Cafamaum. Desde o início do seu ministério (Jo 4), Jesus evitara usar a palavra 'Messias' por causa das conotações políticas ligadas ao título. Mas agora Pedro claramente o chama 'o Ungido, o Messias, o Filho do Deus, o vivo' (note os quatro artigos definidos). Essa sublime confissão de Pedro significava que ele e os outros discípulos criam que Jesus era o Messias e eram verdadeiros, a despeito da deserção da populaça Galileia (Jo 6)" (ROBERTSON, A.T. Comentário Mateus e Marcos. À Luz do Novo Testamento Grego. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. pp. 185,186).

CONCLUSÃO
Jesus é tão maravilhoso que definir quem Ele é em uma só palavra ou expressão é impossível, por isso, aprendamos mais e mais sobre quem é o nosso Salvador e como devemos chamá-lo. A indagação paulina ainda tem total razão de ser entre nós, em nossos dias (Rm 10.13,14). O verdadeiro Evangelho somente será anunciado às nações de modo eficaz, quando aqueles que pregam tiverem plena consciência de quem o Senhor Jesus Cristo é.

HORA DA REVISÃO
1. A que se refere prioritariamente a expressão "Filho do homem"?
Aos aspectos humanos dos indivíduos, isto é, a humanidade destes.

2. No Antigo Testamento, que personagem mais utiliza para referir-se a si mesmo a expressão "Filho do homem"?
Profeta Ezequiel.

3. Quais as principais diferenças entre os três eventos registrados no Novo Testamento em que Jesus é tratado de 'Filho de Davi"?
Em dois dele (a mulher cananeia e o deficiente visual) trata-se de pessoas reconhecendo em Jesus seu poder para sarar, já na entrada triunfal na cidade, refere-se ao reconhecimento do cumprimento de profecias declaradas a Davi.

4. De que modo o Evangelho é afetado em virtude da falta de centralidade da pregação na imagem de Jesus como Cristo?
Temos cada vez mais mensagens vazias de conteúdo e pessoas muito religiosas e pouco cristãs.

5. Que característica do principal título de Jesus, "Messias" você destacaria?
Resposta pessoal.

Lição 4 - O Que Cristo Fez por nós



Classe: Jovens | Trimestre: 1° de 2020 | Revista: Professor | Lições Bíblicas de Jovens, CPAD – Aula: 26/01/2020

TEXTO DO DIA

"Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas."  (1 Pe 2.21)

SÍNTESE
Ninguém poderia fazer o que Jesus, por seu amor, fez por nós. Compreender o valor do sacrifício do Calvário é o primeiro passo para vivermos um Cristianismo autêntico e saudável.

Agenda de leitura
SEGUNDA - Mc 9.12
Um sacrifício consciente
TERÇA - Jo 10.18
Uma doação completa
QUARTA - Tt 2.11
Uma salvação que é oferecida a todos
QUINTA - 2 Co 5.19
A obra da reconciliação
SEXTA - Rm 5.8
O Calvário como prova de amor por nós
SÁBADO - Jo 1.29
O Cordeiro que Deus sacrificou por nós

Objetivos
I - ESCLARECER o que significa o caráter vicário da morte de Cristo;
II - DEMONSTRAR que a expiação salvadora de Jesus foi ilimitada;
III - APRESENTAR as características singulares do sacrifício de Jesus.

Interação
De quantos professores de Escola Dominical o mundo precisa para acontecer uma revolução espiritual e educacional? Talvez essa seja uma pergunta muito abrangente e distante de ser respondida. Então, diminuamos o universo de influência e pensemos em algo mais próximo da realidade. De quantos professores a Escola Dominical de sua Igreja Local precisa para que os jovens possam ser avivados e edificados através do poder de Deus? Apenas de um, VOCÊ!     


Orientação Pedagógica
Uma sugestão para ser aplicada nesta lição é o uso de uma metodologia ativa denominada "Aquário" (em inglês fishbowl). A metodologia desenvolve-se da seguinte maneira: a sala é posta em formato circular e ao centro se coloca cinco cadeiras (sendo que sempre uma deve ficar livre); quatro pessoas são convidadas a sentarem no centro e iniciarem um debate a partir de uma temática sugerida pelo professor. A qualquer momento do debate, alguém da plateia pode sentar-se na cadeira vazia, com isso, necessariamente alguém que estava sentado participando do debate deve retirar-se de modo a sempre existir uma cadeira vazia para quem quiser participar, e não permitir que o debate seja atrapalhado. Um mesmo participante pode sair e retornar quantas vezes quiser, o papel do educador é não permitir que o debate acabe; assim este deve, sempre que possível, sugerir novos temas, formular perguntas, demonstrar falhas na argumentação de algum participante, etc.

Texto bíblico
2 Coríntios  5.14-21
14      Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram.
15      E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.
16      Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já o não o conhecemos desse modo.
17      Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.
18      E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação,
19      Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação.
20      De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo que vos reconcilieis com Deus.
21      Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele fôssemos feitos justiça de Deus.

INTRODUÇÃO
Na lição deste domingo, refletiremos sobre as características e os princípios espirituais que estão presentes na obra vicária de Jesus Cristo. Temos vivido um período muito complexo: uma explosão de igrejas e um crescimento considerável da população evangélica, porém, nunca testemunhamos tantas heresias, escândalos e um tipo de espiritualidade tão decadente como esta que envolve muitos cristãos. Apenas uma reflexão detida sobre a obra sacrifical do Mestre pode dar-nos uma visão correta daquilo que é o Cristianismo.

I - A MORTE VICÁRIA

1. Antes de morrer ele sofreu por mim.
Quem nos amaria como Jesus nos amou? Quem, além do nosso bondoso Salvador, seria capaz de enfrentar todo um conjunto de dores e angústia para garantir-nos a salvação? A resposta é única e simples: NINGUÉM! Deve-se, todavia, lembrar de que a morte de Jesus não foi um ato isolado e tomado por uma violenta paixão, isto é, um acontecimento ao acaso e praticado de modo impensado. O Senhor sabia o que estava fazendo (Mt 16.21; Mc 9.12,31).

Na verdade uma de suas preocupações era conscientizar seus amigos para que os mesmos - no momento de sua morte - não perdessem a fé (Mc 14.27-31). Antes da crucificação houve todo um "calvário" de torturas (Jo 19.1-4), violações de direitos (Mt 26.66,67) e traições (Mt 26.14-16). Em vários momentos Jesus é instigado a evitar o sacrifício sob a alegação de que um Deus jamais permitiria que isso acontecesse consigo (Mt 27.40). Na verdade, o que o Diabo tentou a todo custo foi impedir o sacrifício da cruz pois, naquele momento da história, ele já podia deduzir que a crucificação não seria o fracasso de Jesus, antes, lá seria o começo de nossa vitória.

2. Ele entregou-se completamente.
Uma das heresias mais antigas que o Cristianismo precisou enfrentar foi a afirmação de que Jesus não sentia nada enquanto estava no processo de crucificação. Esta era uma tese do gnosticismo; para os adeptos dessa corrente herética, especialmente no evento do Calvário, Jesus não experimentou sofrimento algum, isto é, não sentiu dor física. Ora, se não havia corpo material, não existia sofrimento e sem dor os momentos da crucificação passaram-se sem qualquer incômodo para o Salvador. João é uma forte voz de denúncia contra a heresia gnóstica (1 Jo 4.2,3; 2 Jo 7).

Outra vertente do gnosticismo defendia que a ressurreição de Jesus teria sido apenas espiritual e não corpórea, uma vez que, para esse grupo herético, o corpo era a sede de todos os males e deficiências da humanidade. Essas duas heresias procuram atacar a importância do sacrifício vicário de Jesus, pois, se não houvesse plena identificação de Jesus conosco, nossa salvação não seria possível (Hb 2.18; 1 Pe 2.24; 3.18). Por outro lado, como bem já afirmou Paulo, se a ressurreição não fosse uma realidade, não haveria qualquer sentido na fé cristã (1 Co 15.13-21).

3. Assim como Ele fez, façamos nós também.
Em 1 Pedro 2.19-25 encontramos uma das mais contundentes afirmações do Novo Testamento sobre o imperativo de nossa identificação com Jesus e sua opção por sofrer pela justiça. Há em nossa sociedade contemporânea - de modo especial na brasileira - um anseio coletivo por justiça; esperamos que as instituições cumpram seu papel social, que os governos empenhem-se no serviço da população, e que as leis e julgamentos espelhem o desejo de um mundo melhor. Infelizmente, não é isso que constatamos. A visão que opera neste tempo está morta e enterrada em uma estrutura maligna (1 Jo 5.19). Por causa disso, muitos justos e santos padecem em virtude de procedimentos imorais, mas respaldados pela lei. Diante desse quadro desanimador, o que fazer? Render-se à lógica do mundo e revidar injustiças? Não, jamais! Devemos encarar nossa chamada martírica, isto é, nossa simultânea vocação de testemunhas e mártires, e desta forma manifestar Cristo o tempo todo nesse mundo, e se necessário, sacrificarmo-nos - assim como Jesus - pela justiça, verdade e bondade. O sacrifício de Jesus é único e insuperável, e nossa doação deve ser contínua e resignada.

II - A EXPIAÇÃO
1. A expiação e a salvação.
O ato expiatório define-se como a atitude realizada com a finalidade de "tirar de sobre alguém ou de si" a culpa que lhe é atribuída. Segundo a lógica social do povo de Israel, não bastava a alguém que cometeu um delito a restituição e/ou restauração proporcional do dano causado ao seu próximo (Êx 22.1-15); era necessário também um sacrifício expiatório diante do Senhor para retira-lhe o peso de condenação que havia em virtude de seu pecado (Lv 6.1-7). Essa característica da sociedade judaica demonstra-nos com clareza que, em última instância, toda injustiça contra o próximo também é um pecado contra o próprio Deus (Sl 140.8-13).

Cerimonialmente, o Antigo Testamento é repleto de referências a esse tipo de ato, inclusive com a instituição de uma festividade específica na qual se celebrava a "desculpabilização" de todo o povo - o Dia da Expiação (Lv 23.26-32). Como bem anunciou João Batista (Jo 1.29), o sacrifício de Jesus é um ato expiatório em nosso favor, isto é, na cruz - que era nossa - o Salvador substitui-nos e assim retirou toda a condenação que havia contra nós. Em Cristo Jesus, somos salvos da condenação eterna. A expiação é o ato de materialização da graça de Deus em nosso favor.

2. Um amor que não tem limites ou sobre a expiação ilimitada.
Um dos pontos centrais de nossa soteriologia é a defesa de que o sacrifício expiatório de Jesus tem amplitude universal; dito de outra forma, a defesa da expiação ilimitada implica a crença de que, através da morte de Jesus na cruz do Calvário, a humanidade inteira ganhou a oportunidade de reconciliar-se com Deus (2 Co 5.19). Cristo não se sacrificou apenas por alguns, mas por toda a humanidade (1 Tm 2.4). Um dos títulos pelos quais Jesus é chamado na Escritura é de "Salvador do mundo" (Jo 4.42). Aquilo que era impossível de ser recebido por qualquer indivíduo (Mc 10.23-27), uma vez que estávamos afastados de Deus em virtude de nossas transgressões e ofensas (Cl 2.13), é graciosamente oferecido a nós por Jesus Cristo. O que o Mestre realizou é tão inacreditável que chega a nos constranger, impulsiona-nos a tomar uma atitude, tamanho é o seu amor por nós (2 Co 5.14,15). Por esta ação do Salvador torna-se mais evidente ainda a culpabilidade daqueles que rejeitam o valor da expiação (Hb 5.9; Mc 16.16), não restando a esses nada a mais que uma terrível expectativa de condenação e morte (Hb 10.26,27).

3. Os efeitos práticos da expiação.
A compreensão plena da expiação de Jesus em nosso favor concede-nos a capacidade de autoavaliarmo-nos melhor. Não há em nós mérito algum com relação a obra da salvação, tudo vem do amor e benevolência de Cristo (Ef 2.8). Por isso, todas as vezes que nosso inconformado coração quiser murmurar diante de Deus por não ter alguma coisa que muito tenha desejado, devemos lembrar que aquilo que era necessário para nossa felicidade já temos recebido de Cristo, a salvação (Lc 10.20), o resto é efêmero, transitório e passageiro (Mc 4.19). Toda a humanidade havia se extraviado em virtude do pecado (Rm 3.23), porém, a expiação de Jesus é exatamente para toda a humanidade pecadora (1 Tm 1.15). Na perspectiva da salvação, somos todos iguais, pois sendo universalmente não merecedores, o Mestre sacrificou-se pelo mundo inteiro.

III - O VALOR DO SACRIFÍCIO DE CRISTO

1. Uma dívida que ninguém mais poderia pagar.
Nossa condição de Queda era algo impossível de ser superado por nós mesmos. Dito de outra forma, não havia - nem há - nada que pudéssemos fazer para alterar nosso estado de filhos da ira (Ef 2.3). O rumo natural de nossa existência, contaminada pelos efeitos da Queda, nos conduziria a uma eternidade de condenação (Jo 3.18).

A possibilidade de algum tipo de sacrifício substitutivo estava bem distante da realidade, uma vez que todos estávamos encerrados debaixo da prática contumaz do pecado (Sl 51.5) e, por consequência, destinados à condenação (Rm 3.23). Com a chegada de Jesus, a prática de sacrifício de animais em substituição ao pecado das pessoas (Lv 16), encontrada no Antigo Testamento, foi substituída (Mt 9.13). E que dívida era essa que tínhamos para com Deus? Devemos nossa existência ao Criador, e depois da Queda da humanidade, tornamo-nos merecedores da punição eterna imediatamente, mas, por muito ter compaixão de nós, o Eterno concedeu-nos permissão para continuarmos vivendo, mas consciente da manutenção de uma dívida que precisava ser paga. Cristo Jesus é o perfeito sacrifício que quita o preço de nossa condenação e apresenta-nos a possibilidade real de vivermos salvos (Mt 18.23-35).

2. Sobre uma visão do apocalipse.
Um dos momentos bíblicos que melhor expressão essa nossa situação espiritual desesperada e necessitada de salvação é descrito através da epifania de João, logo em uma das cenas iniciais do Apocalipse. Em Apocalipse 5.1-5, o arrebatado João chora muito diante do doloroso fato de não haver ninguém, nenhum ser, que pudesse abrir o livro selado. E por que não se podia abrir o livro? Porque não havia dignidade suficiente em nenhum ser em todo o cosmos que lhe conferisse a autoridade para desatar os selos. É neste paradoxal momento que o Cordeiro de Deus, ressuscitado como Leão da Tribo de Judá, manifesta-se se revelando digno e capaz de abrir o livro. Essa narrativa demonstra-se muito rica de significados quando percebemos que - de uma só vez - ela reporta-se ao futuro e ao passado. Essa é, na verdade, uma das possíveis chaves-de-leitura para todo o Apocalipse: Só pode vislumbrar o futuro quem tem clareza sobre o passado. Somente seremos capazes de compreender a magnitude do ato vicário de Jesus se formos igualmente competentes em nossa percepção da fragilidade humana, na autoavaliação de nossa condição pecadora (Rm 7.24).

3. Aquela cruz era minha.
O caráter vicário, isto é, substitutivo do sacrifício de Jesus, é algo incomparável. Como bem argumenta Paulo em Romanos 5.7,8, oferecer-se para salvar a vida de pessoas boas, que amamos e que nos amam, é algo compreensível e dentro de uma lógica relacional. O que Jesus fez, no entanto, foi muito mais radical que isso; Ele demonstrou seu amor por nós sem exigir nada em troca, sem esperar retribuição alguma, por uma simples questão: o que nós poderíamos dar como retribuição à altura do sacrifício de  Cristo? De fato nada (Mt 18.25)! E isto por dois motivos básicos: primeiro por que nenhum ato que possamos realizar, coisa alguma que exista em nós mesmos, são capazes de servir como "moeda de retribuição" pelo que o Senhor fez por nós. E em segundo lugar, por que o ato de Jesus foi todo construído a partir do amor, e esse amor do Salvador é um amor sacrificial (Jo 10.15-17). Na cruz, Cristo destruiu toda autoridade do maligno sobre nós (Cl 2.14); estávamos mortos e fomos vivificados (Ef 2.5). A nossa cruz Ele carregou, a nossa dor Ele sofreu, a nossa vitória eterna Ele alcançou (Is 53.1-11).

SUBSÍDIO 1
"Quatro palavras para a salvação. Há quatro grandes palavras doutrinárias empregadas na Bíblia para nos revelar a extensão do valor da morte de Jesus, isto é, do seu sangue remidor, para tirar os nossos pecados. Tão vasto e infinito é o alcance da obra efetuada por Jesus que um só vocábulo das Escrituras não pode resumi-la.

A palavra 'expiação' aplica-se em relação ao pecado em se tratando da salvação quanto ao seu alcance, que é infinito (Sl 103.12; Is 53.10). Já 'redenção' diz respeito à salvação em relação ao pecador e seu pecado. Outro termo, 'propiciação', aplica-se à salvação quanto à transgressão; isto é, a salvação considerando o ser humano como o transgressor. E a quarta palavra é 'imputação', que se relaciona com a salvação quanto ao seu 'creditamento'. Ou seja, a justiça de Deus 'lançada em nossa conta', pela fé no próprio Deus (cf. Fp 4.17; Mt 6.12; Fm v.18; Rm 4.3).
Portanto, a salvação é tão grande e tão rica que uma só palavra não abarca o seu significado! Glória a Deus!

Tecnicamente, a palavra 'expiar' - hb. kapar - significa 'encobrir', 'cobrir', 'ocultar', 'tirar da vista'. A primeira menção dessa palavra nas Escrituras está em Gênesis 6.14 (hb. kapar, 'betumarás', ARC; 'calafetarás', ARA) e ilustra muito bem o seu emprego através da própria Bíblia, como a Palavra de Deus" (GILBERTO, Antonio. et al. Teologia Sistemática Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p. 353).

SUBSÍDIO 2
"Avaliação Resumida da Salvação Universal dos Infantes independentemente da sua Fé
Um mérito desta posição é que ela tanto satisfaz a justiça de Deus, quanto presta honra à sua onibenevolência. Além disso, ela apresenta uma base bíblica concebível. Todavia, os oponentes têm levantado diversas críticas a ela. Primeiro, os críticos argumentam que, de acordo com esta posição, os infantes são salvos sem precisar de fé, ao passo que a Bíblia parece ensinar que a fé é condição necessária para se receber o dom da vida eterna (por exemplo: Jo 3.36; At 16.31; Hb 11.6).

Em resposta, como já mencionamos, algumas pessoas colocam que a fé é um requisito padrão, mas não absoluto para a salvação. Ou, que ela pode ser absolutamente necessária nesta vida para aqueles que puderem exercer a faculdade de crer, mas não para aqueles (como os infantes) que não puderem fazer uso dela. Para aqueles que morrerem antes da idade da responsabilidade, a escolha poderia ser adiada para a vida futura; isto em nada menospreza as exortações enfáticas da Bíblia àqueles que podem exercer a faculdade de crer: eles precisarão crer antes de morrer (cf. Jo 3.18, 36; 5.24; Hb 9.27)"(GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. 1.ed. Vol 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. p. 357).

CONCLUSÃO
Somente a manipulação das trevas no coração da humanidade pode fazer as pessoas não reconhecerem que não apenas o sacrifício do calvário é único, assim como o próprio Cristo Jesus é inigualável. Viva a salvação!

HORA DA REVISÃO
1. Porque em vários momentos do processo de crucificação, Jesus é instigado a "salvar a si mesmo" evitando assim a crucificação?
Porque se o Mestre desistisse do sacrifício do calvário nossa salvação estava perdida.

2. Como se pode definir, de modo sintético, o que é a expiação?
A expiação é o ato de materialização da graça de Deus em nosso favor.

3. Que textos da Escritura podem ser utilizados para fundamentar a doutrina da expiação ilimitada?
Tito 2.11; 1 Timóteo 2.4; 2 Coríntios 5.19; João 4.42.

4. Apresente três efeitos práticos derivados da obra da expiação.
Concede-nos a capacidade de autoavaliarmo-nos melhor, demonstra o quanto somos universalmente iguais e denuncia que todo tipo de arrogância e presunção é fútil.

5. Porque não somos capazes de oferecer nada a Jesus em troca de seu sacrifício vicário?
Primeiro em virtude de nossa condição pecaminosa, e em segundo lugar porque tudo o que Jesus fez foi por amor, sem exigir nada em troca.