JESUS, VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM

Jesus não é somente o Filho de Deus bendito eternamente (Rm 9.5). Ele é também o Filho do Homem. "O Verbo se fez carne..." (Jo 1.14a). Esta realidade está bem alicerçada na Bíblia, o que iremos estudar neste capítulo.
Veja também:
I. PELO MILAGRE DA ENCARNAÇÃO, JESUS VEIO AO MUNDO COMO HOMEM

1. Era necessário que Jesus "fosse semelhante aos irmãos" (Hb 2.17)
Deus, para cumprir a sua promessa de salvação, não podia        enviar o seu Filho Unigênito na forma de Filho de Deus. O Mediador entre Deus e os homens tinha de ser um homem. "...Há um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem'' (1 Tm 2.5)." Convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus,para expiar os pecados do povo" (Hb2.17). Jesus precisava vir"...em forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Fp 2.7b). O Verbo precisava fazer-se carne, para que pudesse habitar entre nós (Jo 1.14). Ele tinha de virem outra forma. Deus havia de vir ao mundo como homem. Isto só poderia acontecer por meio de um milagre! "...Grande é o mistério... Aquele que se manifestou em carne..." (1 Tm 3.16). Este milagre é chamado "A Encarnação".

2. Maria aceitou sua missão!
Para a realização da encarnação de Jesus, era necessário que houvesse alguma mulher disposta a receber o Filho de Deus em seu ventre. Deus havia escolhido para isto a virgem Maria, noiva de um varão piedoso chamado José. Maria recebeu a notícia desta distinção através do anjo Gabriel. Este, ao chegar, saudou Maria com as palavras: "...Salve agraciada, o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres" (Lc 1.28b). Quando Maria viu o anjo e ouviu as suas palavras, turbou-se muito. Porém, o anjo lhe disse: "Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus; eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho e pôr-lhe-ás o nome de Jesus" (Lc 1.29-31).

Na sua pureza, perguntou Maria: "...Como se fará isto, visto que não conheço varão?" (Lc 1.34b). Foi então que Gabriel lhe revelou o segredo divino:' '...Descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus" (Lc 1.35). Foi diante desta palavra que Maria respondeu: "...Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra..." (Lc 1.38).

3. O milagre da encarnação!
Foi neste momento que uma coisa emocionante aconteceu no céu! O Filho de Deus, Jesus Cristo, aceitou, voluntariamente, ser despido de parte da sua glória celestial (Fp 2.6,7), para naquele momento tomar a forma de servo (Fp 2.7). Foi então que o milagre se deu! Jesus, o Filho de Deus tomou forma de "semente de homem'' e entrou no ventre da virgem Maria. No mesmo momento em que ela disse:' 'Eis aqui a serva do Senhor! Cumpra-se em mim segundo a tua palavra'', o Verbo Divino, havia, pela operação do Espírito Santo, entrado no ventre de Maria, que desde então se achou grávida.
O Filho de Deus estava para entrar no mundo!!

4. Um milagre não se pode explicar!
A encarnação de Jesus foi um grande milagre. É impossível explicar o milagre da encarnação em termos biológicos. O médico Lucas, no seu evangelho, relatou este milagre, e sem deixar sombra de dúvida. Enquanto a teologia liberal não aceita esta doutrina, antes ridiculariza-a, para os crentes que creem na Bíblia como a expressão da verdade divina (Jo 17.17), esta doutrina não representa problema algum, pois "pela fé entendemos..." (Hb 11.3). Graças a Deus.

II. PROVAS IRREFUTÁVEIS DA HUMANIDADE DE JESUS

1. Jesus teve um nascimento inteiramente natural
Maria concebeu de modo sobrenatural, mas deu à luz de modo inteiramente natural, após nove meses de gravidez.
Jesus, como recém-nascido, dependia em tudo dos cuidados da sua mãe (Lc 2.7).

Jesus teve um crescimento natural: "Crescia Jesus em sabedoria em estatura e em graça..." (Lc 2.52).

2. Jesus nasceu como homem completo e perfeito

Jesus tinha um corpo perfeito (Mt 26.12), tinha alma (Mt 26.38) e espírito (Jo 11.33).

Jesus teve um corpo eterno. Com o corpo com que Jesus nasceu, Ele subiu do Gólgota e morreu. Com esse mesmo corpo, Ele ressuscitou da morte, e com o mesmo corpo, agora glorificado, Ele subiu para o Céu (Fp 3.21) e se assentou à destra de Deus (At 2.33; 1 Pe 3.22). As marcas das feridas que Jesus recebeu na cruz estão ainda com Ele nos céus (Ap 5.5).

Com esse mesmo corpo Jesus voltará! Os anjos disseram, quando Jesus foi recebido em cima no Céu: "...Esse Jesus que dentre vós foi recebido em cima no céu... há de vir assim como para o Céu o viste ir" (At 1.11).
3. Jesus se integrou inteiramente na sociedade

a) Jesus possuía um nome humano. O anjo disse a Maria que seu nome seria Jesus (Lc 1.31).

b) Jesus tinha família.
Maria concebeu virgem, mas Jesus nasceu dentro de uma família, e não de uma mãe solteira. Sabendo da sua condição de grávida por causa do aviso do anjo, José a recebeu por mulher (Mt 1.19-25).

c) Jesus tinha genealogia.
A Bíblia registra duas. Na primeira, a genealogia jurídica, consta José como cabeça da família (Mt 1.1-17). Na segunda, a biológica, apareceu Maria como a responsável. Nas genealogias judaicas não aparecem nomes de mulheres, por isso em Lucas 3.23,24 não aparece Maria como filha de seu pai Eli, mas sim José (o marido de Maria) como sendo' 'de Eli" embora fosse genro. (Note bem: O pai de José, marido de Maria, era Jacó (Mt 1.16). (Scofield)

d) As genealogias provam o cumprimento exato de tudo que “...Deus falou pela boca dos seus santos profetas desde o princípio” (At 3.21b) a respeito da procedência de Jesus como homem.

Segundo as profecias, Jesus nasceria de: Sem, filho de Noé (Gn 9.26,27). Cumprimento: (Lc 3.36). Ele seria de semente de Abraão (Gn 12.3; 19.17; G13.16). Cumprimento: (Lc 3.34). Seria descendente de Jacó (Gn 18.13-15). Cumprimento: (Lc 3.34). Da tribo de Judá (At 13.22,23; Hb 7.14; Ap 5.5). Cumprimento em (Lc 3.34). Da família de Davi (SI 132.11; Jr 23.5; Rm 1.3; At 13.22,23). Cumprimento (Lc 3.32).

Vemos assim Jesus inteiramente integrado no cumprimento das profecias sobre a sua descendência humana.

Jesus tinha a sua profissão secular. O seu pai adotivo, José, era carpinteiro (Mt 13.52) e Jesus aprendeu a mesma profissão. Jesus era até chamado: "Carpinteiro" (Mc 6.3).

Jesus cumpriu o seu dever para com a sociedade! Ele pagou tributo (Mt 17.24-27). Ele cumpriu o seu dever como primogênito de sua mãe, Maria, quando ela se tomou viúva, com o falecimento de José. Foi por isto que Ele entregou esta sua responsabilidade a João, o discípulo amado (Jo 13.23; Jo 19.26,27). Com sabedoria, Jesus evitou entrar numa armadilha que os inimigos lhe haviam preparado, para jogá-lo contra o governo romano e contra o seu povo, os judeus (Mt 22.15-21). O próprio governador disse a respeito dele: "Nenhum crime acho nele" (Jo 19.6).

4. Jesus estava em tudo sujeito às limitações humanas
a) Jesus sentia cansaço (Mt 8.24; Jo 4.4).
Ele tinha fome e sede (Jo 4.6; 19.28) Jesus se alegrava (Lc 10.21) mas Ele também sentia tristeza e perturbação (Mc 3.5; Jo 12.27). Ele até chorou (Jo  11.35; Hb 5.7; Lc 19.41) Ele sofreu (Mt 16.21; Lc 9.22) a ponto de o seu suor se tornar em sangue (Lc 22.44).

b) Como homem, Jesus dependia em tudo da ajuda de Deus.
Por isto Ele orava constantemente (Mt 14.23), pedindo poder (Lc 5.16,17) e direção para o seu trabalho (Lc 6.12,13; 4.42,43), e poder sobre os demônios (Mc 9.29). Ele até orou pelos inimigos (Lc 23.34). Nada podia alterar a sua comunhão com o seu Pai. Em tudo Ele foi um exemplo (1 Pe 2.23; Jo 13.15), abrindo para nós o caminho da vitória (SI 85.13).

c) Jesus, como homem, foi também tentado em tudo (Hb 2.17,18; 4.15,16; Mt 4.1-11).
Toda a tentação que um homem pode sofrer neste mundo, Jesus a experimentou como homem. Como Deus, Ele jamais podia ser tentado (Tg 1.13).

d) Jesus era em tudo semelhante aos homens (Hb 2.17).
Porém num ponto Ele se distinguiu inteiramente. Jesus nunca sofreu nenhuma fraqueza moral, nem cometeu nenhuma falta. Jesus era Perfeito (Hb 7.28), Santo (Hb 7.26), Justo (1 Jo 3.7), Incontaminado e Imaculado (1 Pe 1.19). Nunca cometeu pecado (1 Jo 3.5; Hb 4.15; 2 Co 5.21). Na luta final, podia dizer: "...se aproxima opríncipe deste mundo, enadatem em mim" (Jo 14.30).

III. JESUS - HOMEM VERDADEIRO ETERNAMENTE

Jesus, o filho de Deus bendito eternamente (Rm 9.5), se fez i carne (Jo 1.14) e assim permanece (Hb 7.24,28). Após a sua ressurreição, Jesus recebeu um corpo glorioso (Fp 3.21) isto é, um corpo espiritual (Lc 24.35; 1 Co 15.44) e foi exaltado soberanamente (Fp 2.9). Ele está agora assentado para sempre à destra de Deus (Hb 10.12) como "Filho do homem" (Hb 10.9), sendo constituído por Deus, como cabeça da Igreja (Ef 1.22) a qual Ele dirige, orienta, sustenta e alimenta (Ef 5.29), intercedendo a Deus por ela (Hb7.25).

Quando Estêvão (At 7.55) e João (Ap 1.13) viram Jesus como ressuscitado no Céu, viram-no como' 'Filho do homem". É assim que Ele também há de voltar (Mt 26.64). Quando Jesus subiu ao Céu, após ter consumado a sua obra, os anjos testificaram para os discípulos:' 'Este mesmo Jesus há de vir assim como para o céu o vistes ir" (At 1.11).

IV. JESUS UNIU NA SUA PESSOA DUAS NATUREZAS DISTINTAS E PERFEITAS
Pela concepção sobrenatural de Maria, Jesus herdou, pela operação do Espírito Santo (Lc 1.35), de seu Pai, a natureza divina, com todas as suas características. De Maria, Jesus recebeu a natureza humana. Assim a sua natureza divina e a sua natureza humana se uniram na constituição da pessoa de Jesus Cristo, de modo perfeito.

1. As suas duas naturezas não se misturavam
Jesus não ficou com a sua natureza humana "divinizada" nem tampouco com a sua natureza divina' 'humanizada". Quando Jesus, em Caná, transformou a água em vinho (Jo 2.8-10), a água deixou de ser água, e passou a ser vinho. Todavia quando Jesus se fez homem, continuou sendo Deus Verdadeiro, mesmo estando em forma de homem verdadeiro.

2. As duas naturezas operavam simultânea e separadamente
Jamais houve conflito entre as suas duas naturezas. Isto porque Jesus como homem verdadeiro sempre agia conforme a direção do Espírito Santo em todas as suas determinações, como na sua autoconsciência, e sujeitou-se sempre à vontade de Deus, segundo a sua natureza divina (Jo 4.34; 5.30; 6.38; SI 40.8; Mt 26.39).

Assim Jesus possui duas naturezas numa só personalidade, as quais operam de modo harmonioso e perfeito, numa união indissolúvel e eterna.

3. Esta realidade é simbolizada na arca do tabernáculo
A arca era feita de madeira de setim, coberta de ouro (Ex 25.10-25). A tampa da arca, chamada propiciatório, o lugar onde o sangue do sacrifício era espargido (Lv 16.15), era feita de ouro puro. A arca é um símbolo de Jesus como o nosso Mediador, que agora, revestido de glória, está no santuário do Céu, onde entrou com o seu sangue de expiação (Hb 9.5-7,11,12,24). A madeira, usada na arca, símbolo da humanidade de Jesus, não se misturava com o ouro que cobria a madeira, símbolo da divindade de Jesus. De igual modo as duas naturezas de Jesus, permanecem juntas, formando a nossa arca perfeita. Glória a Jesus! 

4. As duas naturezas operavam lado a lado na vida de Jesus
Essa operação prova que Jesus era homem verdadeiro e também Deus verdadeiro. Vejamos alguns exemplos sobre isto:

a) Jesus nasceu em toda humildade (Lc 2.12; 2 Co 8.9) (natureza humana), mas o seu nascimento foi honrado por uma multidão de anjos que o exaltaram como o Messias (Lc 2.9-14) (natureza divina).

b) Jesus foi batizado como os outros seres humanos, sujeitando- se à justiça divina (Mt 3.15) (natureza humana) porém, Deus falou naquela ocasião: "...Este é o meu Filho amado em que me comprazo" (Mt 3.17b) (natureza divina).

c) Jesus foi tentado como todos os demais homens (Lc 4.1- 13; Hb 4.15) (natureza humana) mas, tendo Ele vencido, os anjos o serviram (Mt 4.11) (natureza divina).

d) Jesus dormiu de cansaço no barco, apesar da grande tempestade (Mt 8.24) (natureza humana), mas depois Ele se levantou e repreendeu o vento e as ondas (Mt 8.26) (natureza divina).

e) Jesus, cansado de andar, assentou-se junto à fonte para descansar (Jo 4.6) (natureza humana), porém, ali Ele descobriu a situação espiritual da mulher e lhe revelou o caminho da salvação (Jo 4.7-29) (natureza divina).

f) Diante da morte do seu amigo Lázaro, Jesus chorou 11.33-35) (natureza humana), mas ali Ele orou ao seu Pai, e mandou Lázaro sair do sepulcro (Jo 11.32-43) (natureza divina).

g) No Jardim Jesus foi preso por homens ímpios (Jo 18.1- 3,12,13) (natureza humana). Porém quando Ele disse: SOU EU, todos os soldados caíram por terra (Jo 18.6) (natureza divina), e ainda Ele curou a orelha do servo do sumo sacerdote, a qual Pedro havia cortado (Lc 22.51) (natureza divina).

5. Voluntariamente, não usou as virtudes de sua divindade
 Para fazer a vontade de seu Pai, e para cumprir as Escrituras (Mt 26.54), Jesus se sujeitou à limitação humana que havia aceitado. Jesus, por exemplo, não quis chamar 12 legiões de anjos (Mt 26.53).

6. Duas naturezas numa pessoa, uma pedra de tropeço
Se olharmos este assunto de modo unilateral, dando destaque só à divindade de Jesus, então a sua humanidade fica irreal e simulada. Destacando demasiadamente o lado da sua humanidade, a sua condição de Deus verdadeiro, fica ofuscada.

Referência: Bergstén, Eurico, 1913- A Santa Trindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. Rio de Janeiro, CPAD, 1989. Reverberação: www.subsidiosebd.com